A escola e os professores precisam se reinventar nessa nova jornada, buscar uma estrutura que construa uma educação pautada no desenvolvimento da espiritualidade como condição humana, se quisermos ter uma vida melhor, menos superficial, banal, sem sentido, que valorize a ética em toda e qualquer relação.

A educação tornou-se, portanto, competitiva, desumana e o conhecimento cumulativo. O conhecimento não se transforma em saber, passa a ser mero produto para ser descartado, quando não servir mais para os testes que o nosso sistema.

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econômico/educacional implantou no mundo. Para que serve uma educação que apenas mede o acúmulo de conhecimento? Como fica ação dos professores? Que seres humanos estão por trás de uma educação que des-humaniza? Quantas crianças e jovens, além de professores, estão doentes, hoje? São doenças psicossomáticas, autoimunes, doenças de relacionamento: bullying, depressão, estresse que acometem nossos alunos durante e pós o período escolar, marcas que ficam na pele, difíceis de tratar Por que toda a sociedade age dessa forma? Queremos ter, cada vez mais, e educamos para o poder e o ter desmedido.

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Vivemos a inversão de todos os valores. Já passamos da fase do “mal estar da civilização” de Freud. Estamos voltando à barbárie? Numa sociedade que perde de vista o humano, sua sensibilidade resta o desumano. Para onde caminhamos? A resposta é clara: precisamos decrescer – urgentemente, como aponta Latouche:

 

“A palavra de ordem ‘decrescimento’ tem como principal meta enfatizar fortemente o abandono do objetivo do crescimento ilimitado, objetivo cujo motor não é outro senão a busca do lucro por parte dos detentores do capital, com consequências desastrosas para o meio ambiente e, portanto, para a humanidade. Não só a sociedade fica condenada a não ser mais o instrumento ou o meio da mecânica produtiva, mas o próprio homem tende a se transformar no refugo de um sistema que visa a torná-lo inútil e a prescindir dele.”

 

Outro exemplo que podemos citar é referente à dificuldade de aprendizagem. A criança que apresenta alguma dificuldade é olhada como portadora única do problema, compete a ela resolvê-lo, caso contrário vira um aluno rotulado, aprisionado, sem capacidade de sair do lugar que lhe ditaram. Essa visão novamente é local e individual, perde-se de vista o sujeito como um todo, reduzindo-o a um aluno com dificuldades, estigmatizado, reduzido ao não-saber e ao sofrimento.

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De acordo com Latouche, está mais do que na hora de mudarmos o foco: compartimentada, a valorização de cada parte, sem conexão com o todo, privilegiando a competição, a luta, a individualidade. Sob essa visão de mundo que opera com as leis da matemática, temos uma visão positivista da realidade, que permite a objetividade e o rigor nas ciências, uma visão de mundo mecanicista, uma visão ilusória sobre a neutralidade científica. Esse movimento tem nos levado a um mundo de crises individual, social, política, ambiental, uma crise global que ameaça a todos e ao planeta. De acordo com Latouche, está mais do que na hora de mudarmos o foco:

 

“O altruísmo deveria prevalecer sobre o egoísmo, a cooperação sobre a competição desenfreada, o prazer do lazer e o éthos do jogo sobre a obsessão do trabalho, a importância da vida social sobre o consumo ilimitado, o local sobre o global, a autonomia sobre a heteronomia, o gosto pela obra sobre a eficiência produtivista, o sensato sobre o racional, o relacional sobre o material, etc. Preocupação com a verdade, senso de justiça, responsabilidade, respeito da democracia, elogio da diferença, dever de solidariedade, vida espiritual: eis os valores que devemos  conquistar a qualquer preço, pois são a base de nosso florescimento e nossa salvaguarda  para o futuro.”

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Estamos sob um novo paradigma ainda trabalhado de forma teórica, temos de divulgá-lo para que possamos vivenciá-lo no dia-a-dia de nossas vidas, seja na escola, na profissão que exercemos, no médico em que nos consultamos em todas as relações que possamos estabelecer. A escola precisa se rever e abrir espaços para a humanização das relações, humanizar a educação. Será preciso ensinar à empatia, a inteligência emocional, a sensibilidade e a ética, urgentemente.

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Psicopedagoga, Psicanalista Clínica, Palestrante, Bacharel em Administração de Empresas, Professora do município de Juazeiro-BA na área de Atendimento Educacional Especializado, Escritora/poetisa com livro publicado pela Editora Baraúna e CBJE.
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Escola humanizada: A nova educação focada no SER
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