INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar: Renovar. Muitas pessoas permanecem estagnadas e resignadas enquanto a vida segue seu curso, em uma parada sem evolução. Dessa maneira, o mundo continua em constante evolução, demandando do ser humano que acompanhe seu ritmo, mas, no entanto, sem fornecer a este os elementos necessários para acompanha-lo devidamente. Assim o comportamento não se modifica.
Então, este mesmo ser, sem possibilidade e sem habilidade de enfrentar os padrões comportamentais os quais está a mercê, fracassa constantemente em manter-se firme e resiliente, adentrando em um looping de ir e vir, mantendo esforços por pouco tempo, e fracassando antes, durante, e ao fim de um processo que nunca chegará ao fim.
Nesse ínterim, estabelecem-se vícios, fortalecem-se traumas, e a pessoa não consegue mudar. Então, ainda que haja muita vontade, os padrões continuam lá, e a pessoa acaba se rendendo aos sintomas da ansiedade e da depressão. Todavia, se você chegou até aqui, significa que não desistiu completamente, e está buscando respostas para tentar superar o comportamento que parece insuperável.
Portanto, neste artigo, este autor trará explicações dos motivos por trás dessa dificuldade hercúlea de alterar padrões viciantes arraigados, assim como fornecerá estratégias para conseguir ir além dos padrões, para assim mudar a vida e renovar o espírito completamente.
COMO ENFRENTAR OS PADRÕES COMPORTAMENTAIS RUINS
Á princípio, é preciso entender que cada padrão, cada vício em si, constitui uma função, um tipo de estratégia para lidar com algum tipo de medo ou trauma. Por exemplo, um indivíduo pode adotar o habito constante de consumir álcool por medo da sua própria vulnerabilidade, para compensar uma dificuldade de expressar emoções ou mesmo para esquecer momentaneamente problemas relacionados a eventos difícil do seu passado.
Contudo, a pessoa não consegue parar o vício somente através da força de vontade. Dessa forma, seria mais efetivo não combater o vício diretamente, e sim transformar a vida do indivíduo, para que o vício aos poucos perca a sua função. Mas então, como fazer isso?
A ANÁLISE FUNCIONAL DOS VÍCIOS
Tão logo o padrão ruim se torne inteligível, tanto quanto poderá ser obliterado. Para isso, existem estratégias oriundas das mais diversas abordagens psicológicas, para promover a consolidação da mudança desejada, a fim de melhorar a saúde mental.
Assim sendo, este autor traz neste artigo o conceito ABC da análise funcional dos vícios para assim fornecer uma expansão de ideias, e assim formar uma nova perspectiva para que qualquer um possa compreender melhor de que forma se possa superar vícios e padrões.
Skinner (1953/2000) descreveu como análise funcional “a demonstração empírica das relações de causa e efeito entre o ambiente e o comportamento.” Dessa forma, presume-se que grande parte dos padrões nocivos e vícios tem uma prevalência externa baseada na configuração de vida da pessoa, as quais se fortalecem a partir do efeito e da resposta, que com sua respectiva consequência a reforça.
Então, a análise do comportamento demonstra que o vício precisa ser combatido para além do seu impacto final, analisando as consequências dele, suas origens, e qual função ele exerce dentro de todo o espectro comportamental que o circunda. Portanto, este artigo trás o que é o método ABC, que analisa antecedentes, consequentes, e também os comportamentos em si, para assim combater o vício de forma objetiva, e indireta.
MODELO ABC
A princípio, tem-se a necessidade de se compreender a definição do que seria tal modelo, que, segundo a página ‘Contextual Consulting’, refere-se ao “processo de compreender como pensamentos, sentimentos e comportamentos interagem na vida de uma pessoa, visando identificar os gatilhos ou antecedentes que precedem um determinado comportamento e os resultados ou consequências desse comportamento que o reforçam.”
Ainda segundo o site supracitado, a ideia fundamental é “que os comportamentos não podem ser compreendidos isoladamente. Então, para entender como um comportamento funciona ou o impacto que ele tem (sua função), é preciso compreender o contexto em que o comportamento ocorre. A análise funcional enfatiza o contexto e o que ele realiza para o indivíduo, em vez de apenas o seu conteúdo.”
Assim sendo, além dos comportamentos em si, também são avaliados os antecedentes e as consequências, para assim elaborar um plano de ação para lidar com qualquer tipo de padrão ou comportamento adicto. Portanto, é preciso ter uma compreensão global de todo o comportamento, desde os possíveis gatilhos que disparam o padrão, até as consequências que reforçam este mesmo comportamento.
MODIFICANDO COMPORTAMENTOS (PARTE 1)
Basicamente, não se combate vícios com força de vontade, ou remissão total do comportamento. Assim sendo, o combate aos padrões arraigados é efetuado com àquilo que se chama de substituição funcional gradual. É preciso entender que além da sensação, o comportamento exerce uma função e que é preciso pareá-la com alguma outra fonte alternativa de reforço, mais funcional, para então ir substituindo-a gradualmente.
Portanto, antes mesmo do combate aos sintomas, é preciso compreender toda a dimensão que leva ao comportamento, aumentando a consciência através da psicoeducação, e aumentando a adesão e engajamento ao enfrentamento do problema. A partir daí, com essa etapa bem estabelecida, é que são estabelecidas as intervenções preliminares.
Em seguida, o procedimento gira em torno de interromper a resposta automática padrão. Porém, é importante entender que o foco não pode ser a proibição imediata, mas sim a compreensão do que desperta o gatilho do vício, para assim interrompê-lo e substituindo gradualmente. Por exemplo, supondo que o comportamento viciante seja em redes sociais, tornar-se-ia interessante construir uma interação social mínima estruturada, diminuindo o volume de consumo diário. Ao mesmo tempo, tentar manter certo nível de utilização pareando esse uso com interações presenciais em algum tipo de atividade em grupo (grupos de estudo, academia, esportes etc.).
MODIFICANDO COMPORTAMENTOS (PARTE 2)
Partindo de que a premissa da parte 1 foi executada com excelência, o objetivo passa a ser estruturar os comportamentos necessários para superar o vício. Depois disso, ir reforçando as fontes alternativas de reforço. Dessa forma, o mais importante é transformar a vida de modo que os vícios que a compõem sejam enfraquecidos a cada etapa do comportamento.
Em outras palavras, esse é o momento de estruturar estratégias mais objetivas em relação aos padrões. Assim, tomando o exemplo supracitado do vício em redes sociais, seria importante estruturar o tempo de uso, se reforçar por cumprir esse tempo, e mesmo assim lidar com as possíveis recaídas de modo pleno e objetivo, sem culpabilização, entendendo que o processo é variável, embora constante.
A partir daí, a ideia seria traçar objetivos conscientes de modificação desses comportamentos, ressignificado os traumas associados que levaram ao comportamento padrão arraigado. Na maioria das vezes, tais comportamentos são meras estratégias não deliberadas que o indivíduo aprendeu para lidar com um tipo de sofrimento oriundo de algum trauma. Portanto, é fundamental, além de estruturar planos de modificação, entender quais os traumas envolvidos. Em seguida, investigar as emoções associadas para que assim a mudança comportamental tenha probabilidade maior de efetividade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim, é importante entender que uma pessoa não é fraca por ter um comportamento nocivo, ou mesmo um vício. Pelo contrário, a pessoa é altamente adaptada a contextos punitivos. O problema reside no fato de que este hipotético comportamento é disfuncional, e impede a pessoa de progredir em diversos aspectos da vida moderna, simplesmente fugindo dos problemas.
Assim, este artigo traz luz a modos funcionais de enfrentar os problemas. A proposta é ter formas de modificações comportamentais para mudar padrões cerebrais oriundos de crenças nocivas construídas no histórico de vida de cada um. Renovar também significa estruturar, e quando isso é compreendido de forma profunda, torna-se compreensível porque muita gente não consegue mudar os padrões. Só a força de vontade não é suficiente.
Por último – mas não menos importante – é preciso coragem e perseverança para lidar com os percalços e imprevistos do caminho para modificar esses comportamentos. E assim, nas horas mais críticas, seria vital contar com um bom suporte de pessoas em quem confiar, bem como em ter bom humor, colocando-o na própria vida até mesmo de modo intencional. Nunca é tarde para cuidar de si mesmo.
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Conceitos do Método ABC pela Contextual Consulting

Psicólogo | CRP 03/30093 | Formado pela Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF | Escrevo sobre os mais diversos assuntos relacionados a saúde mental, a partir de duas abordagens: Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) e Logoterapia.

