Numa visão psicanalítica, Winiccot (1959) afirma que, solidão é um benefício que todos os indivíduos tem a seu favor. Por esta razão sua teoria é compreendida como otimista, pois enfoca os aspectos positivos deste sentimento ou capacidade, como descrito pelo autor: “a capacidade do indivíduo de ficar só…  é um dos sinais mais importantes do amadurecimento do desenvolvimento emocional”. (WINNICOTT, 1958, P.31)
Na modernidade, este sentimento torna-se negativo. Estamos sozinhos e vazios do outro, mas estamos mais sozinhos e vazios de nós mesmos. É muito difícil a arte de ficar acompanhado de si mesmo. Em geral não somos nossa melhor companhia, não gostamos do que vemos, ouvimos e sentimos quando estamos conosco, quando nos escutamos, nos olhamos, quando decidimos parar para ter uma boa conversa com a gente mesmo.
Se queremos enfrentar nossa solidão, nosso vazio, não é agarrando em excesso de atividades, nem entupindo de medicamentos, precisamos ter coragem de ficar com nós mesmos, e aprender a nos conhecer (tornar conhecido este desconhecido que vive em cada um de nós, provocando emoções e reações descontroladas e incoerentes com nossos desejos conscientes), aprender a nos gostar, a sermos nossa melhor companhia. Essa não é uma tarefa simples, nem fácil, e não deve ser enfrentada sozinho, muitas vezes será necessária a ajuda de um profissional da área de saúde mental.

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Psicopedagoga, Psicanalista Clínica, Palestrante, Bacharel em Administração de Empresas, Professora do município de Juazeiro-BA na área de Atendimento Educacional Especializado, Escritora/poetisa com livro publicado pela Editora Baraúna e CBJE.
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Sozinhos sem o outro ou sem nós mesmos?