Desde sua definição por Kanner em 1943, o autismo apresentou-se como um mundo distante, estranho e cheio de enigmas. Os enigmas referem-se, por um lado, ao próprio conceito de autismo e as causas, às explicações e as soluções para este desvio do desenvolvimento humano normal.

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O autismo nos fascina porque supõe um desafio para algumas de nossas motivações mais fundamentais como seres humanos. As necessidades de compreender os outros, compartilhar mundos mentais e de nos relacionarmos são muito próprias de nossa espécie, exigem-nos de um modo quase compulsivo. Por isso, o isolamento desconectado das crianças autistas é tão estranho e fascinante para nós como seria o fato de um corpo inerte, contra as leis da gravidade e de nossos esquemas cognitivos prévios, começar a voar pelos ares em nosso quarto. Há algo na conduta autista que parece ir contra as “leis da gravidade entre as mentes”, contras as forças que atraem as mentes humanas para outras. Uma trágica solidão fascinante que, como destacou de modo penetrante Uta Frith (1991, p. 35), “não tem nada a ver com estar apenas fisicamente, mas com estar mentalmente”.

Psicopedagoga, Psicanalista Clínica, Palestrante, Bacharel em Administração de Empresas, Professora do município de Juazeiro-BA na área de Atendimento Educacional Especializado, Escritora/poetisa com livro publicado pela Editora Baraúna e CBJE.
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